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Meu silêncio [2]

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Há muito venho me sentindo assim, vazia. Há muito sinto o coração acelerar, sem saber o motivo. Tenho tanto tempo sobrando, e ao mesmo tempo, não tenho tempo pra nada. Tenho tantos planos, mas não tenho coragem de concretizá-los.
Meu mundo é assim, vazio. Não consigo saber o que me faz bem, não consigo ter metas pra vida. Eu nunca as cumpro, ora por preguiça, ora porque eu esqueço. É, sou esquecida mesmo. Não lembro nem o que eu comi ontem no almoço. Agora, me pergunte o porquê disso. Vou te responder com um sorriso de canto de boca, que disso eu também não sei. Não sei no que penso, não sei o que faço, não sei qual é a roupa que eu uso.
Sei que gosto do silêncio. Gosto do meu canto. Tem vezes que o meu silêncio dói mais do que as palavras. Mas, talvez, eu goste dele mesmo assim.
Costumo freqüentar lugares movimentados, usar muita maquiagem e roupas decotadas, sem saber o porquê de eu fazer isso. Não me sinto bem no meio de muita gente, maquiagem faz meus olhos arderem e a roupa mais confortável é o meu pijama velho, verde e com um sapinho já desbotado. Isso não me faz bem, não é ali o meu lugar.
Um dia desses, depois de uma longa e cansativa discussão com a minha mãe, ela me perguntou o porquê de eu ser assim, fechada. Parei, pensei, refleti, e a respondi, que eu também não sei. Só disse a ela que ela é a única que me vê do jeito que eu sou. Sem ter que fingir ser outra pessoa para agradá-la. Vou a boates, shows, festas, tenho vida social. Mas nada disso é o que eu quero, o que eu gosto. Por muito tempo, achei que era aquilo que me fazia bem. Há pouco, descobri que o que faz bem é o meu silêncio. É ele que ameniza meus problemas, ele que me acalma.
Já tem um tempo que me escondo. Quando tinha seis anos de idade, me mudei pra uma nova casa. Bairro novo, colégio novo, vizinhos novos. Sempre fui cercada por primas, vizinhas legais. Chegando à minha nova casa, todas as “coleguinhas” eram mais velhas que eu. Tive que me mudar, pra elas brincarem comigo. Falava de roupas cor – de – rosa, de brilho labial, de maquiagem. Eu era confundida com um garotinho de rua, andava descalça, com um short largo e tinha o cabelo curto, bagunçado. Definitivamente, não era uma “delas”. Implorei para a minha mãe comprar a casa da Barbie pra mim, com todos os acessórios possíveis. Em poucos dias, a vizinhança toda sabia, e quase fizeram uma fila na porta da minha casa para ver meu novo brinquedo. Gostei daquela história de ser “popular”. Todo fim de semana eu montava a casinha, para todas as minhas “amigas”. Naquele tempo, gostava daquilo, mas depois de crescida, descobri que eu usei máscaras durante toda a minha vida.
Fui alguém que não sou para agradar as pessoas, para agradar os chefes, para agradar os pais. Sempre fingi ser simpática, ser amiga, ser legal, quando não sou, quando não me faz bem. Sempre fingi ser alguém que me faz mal, que não liga pro sentimento dos outros, que não sabe o que é solidariedade. Foi debaixo de muita chuva que eu fui ver quão mal eu fui com as pessoas. Vi, que não as deixo, são elas quem me deixa. Um dia as pessoas cansam de tentar me entender.

8 comentários:

Ariane Carreira disse...

Só lhe faço uma pergunta: Quem é você agora?

Gabo Villalobos disse...

os pijamas

*-*

hg. disse...

Agora, me pergunte o porquê disso. Vou te responder com um sorriso de canto de boca, que disso eu também não sei.

Ariane Carreira disse...

Para cada pessoa você se veste como outra então?

hg. disse...

não, a máscara é a mesma pra todo mundo :)

Ariane Carreira disse...

Defina a sua máscara, talvez você se encontre e saiba quem é.

Mário Lourenço disse...

...e o mundo e os que a rodeiam acabam talhando tua máscara conforme lhes apetece. Não é desolador se dar conta de que são os outros que definem que papel voce deve interpretar?

Linique Logan disse...

Mulheres... quem vai entender???
^^ mas gostei do seu "contentamento descontente"

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